Dentes "tortos" com mordida normal
Os dentes de trás se encaixam bem, mas há dentes sobrepostos, girados ou espaços entre eles. É o tipo mais comum — e costuma ser resolvido apenas com o aparelho.
Você sente que os seus dentes não se encaixam como deveriam: alguns à frente, outros por dentro, alguns sem se tocar, outros se desgastando demais. A pergunta que a maioria faz diante disso é: "qual aparelho corrige a mordida?". A pergunta anterior — e mais importante — é outra: o que está acontecendo com a sua mordida e por quê?
O sintoma não é o diagnóstico. Uma mordida que "não encaixa" é uma manifestação — o primeiro passo é reconhecer o que está acontecendo e dar nome ao problema. Só depois disso faz sentido falar em correção.
Primeiro: como é uma mordida equilibrada?
Quando a mordida está equilibrada, os dentes se encontram de forma organizada: os de trás se encaixam bem, os da frente se tocam levemente e os movimentos de abrir, fechar e mastigar acontecem sem esforço e sem ruídos. Em uma relação saudável, os dentes de cima recobrem os de baixo de forma suave — cerca de 2 a 3 mm — e os caninos guiam os movimentos laterais da mandíbula. Assim, a mastigação é eficiente, o desgaste é equilibrado e a articulação da mandíbula (a ATM) não sofre sobrecarga. Em resumo: uma boa mordida é aquela que você nem percebe que existe.
Os ortodontistas classificam a mordida pela forma como os dentes de cima e de baixo se encontram. Em linguagem simples, cada tipo significa o seguinte:
Os dentes de trás se encaixam bem, mas há dentes sobrepostos, girados ou espaços entre eles. É o tipo mais comum — e costuma ser resolvido apenas com o aparelho.
Os dentes de cima ficam muito projetados à frente dos de baixo — o chamado "visual de coelho". Além da estética, dentes assim têm mais risco de trauma em quedas ou batidas.
Os dentes de baixo ficam à frente dos de cima — o contrário do esperado. Pode vir acompanhada de queixo mais projetado.
Um ou mais dentes de cima mordem por dentro dos dentes de baixo. Pode ocorrer na frente ou nas laterais — e, em combinações, está associada a dores na articulação da mandíbula.
Os dentes da frente — ou de trás — não se tocam mesmo com a boca fechada, dificultando morder alimentos e "fechar" o sorriso.
Os dentes de cima recobrem os de baixo muito além dos 2 a 3 mm ideais. Esse excesso está associado a maior desgaste dos dentes ao longo do tempo.
Duas pessoas podem apresentar o mesmo tipo aparente de mordida e precisar de caminhos diferentes — por isso a pergunta seguinte, e mais importante, é: por que isso está acontecendo no seu caso? A avaliação da mordida faz parte do diagnóstico ortodôntico.
Na maioria dos casos não existe um único culpado — é uma combinação de fatores que começa na infância e se soma ao longo da vida:
Uma mordida desequilibrada não é apenas uma questão de estética. Com o tempo, ela pode cobrar um preço:
Mordidas profundas e desequilibradas fazem os dentes se atritarem mais do que deveriam — e o desgaste se acumula ano após ano.
A articulação (ATM) e os músculos da face trabalham sobrecarregados quando a mordida não encaixa. Estudos associam mordidas cruzadas a dor articular.
Dentes muito projetados são os primeiros a sofrer em uma queda ou batida — um trauma que pode até levar à perda do dente.
Problemas de mordida podem afetar a confiança e a qualidade de vida — e isso também é saúde.
Cada caso é único — e o resultado começa no diagnóstico. Estes são exemplos de transformações conduzidas com planejamento individualizado:


Dentes sobrepostos foram alinhados, devolvendo facilidade na higiene e harmonia ao sorriso.


Os dentes voltaram a se encaixar corretamente, com os de cima recobrindo levemente os de baixo.


O recobrimento voltou ao ideal, reduzindo o desgaste dos dentes e a sobrecarga na articulação.
Os casos ilustram tipos de tratamento realizados — o seu plano é definido individualmente após o diagnóstico completo.
A boa notícia: na maioria dos casos, apenas o aparelho resolve — e a decisão do melhor caminho depende de um exame detalhado. Cada possibilidade responde a uma situação diferente:
Quando o problema está principalmente nos dentes, a movimentação dentária corrige o encaixe. É o caso da maioria dos pacientes.
Elásticos intermaxilares ajudam a ajustar a relação entre os dentes de cima e os de baixo durante o tratamento.
Pequenos parafusos temporários que permitem movimentos dentários que o aparelho sozinho não conseguiria.
Indicada apenas quando a diferença entre os maxilares é grande demais para ser compensada pelos dentes. O tratamento combina aparelho (antes e depois) com a cirurgia, sempre com um plano completo e transparente.
Aparelho fixo ou alinhadores? Estudos recentes mostram que, em tratamentos combinados com cirurgia, os alinhadores transparentes atingem resultados parecidos com o aparelho fixo — com mais conforto e melhor saúde da gengiva. Mas a escolha certa para você depende do seu caso: antes de comparar aparelhos, precisamos entender o que será tratado. O aparelho — fixo ou alinhador — é consequência da decisão clínica, não o ponto de partida. Saiba mais nas páginas sobre alinhadores e sobre o tratamento com Invisalign.
Muitas alterações de mordida em adultos podem ser avaliadas e tratadas sem limite de idade — a condição clínica vem antes da idade. Veja como funciona a ortodontia para adultos.
Diante de uma alteração de mordida, a abordagem segue uma sequência lógica: diagnóstico → planejamento → decisão → tratamento. O aparelho — seja qual for — vem ao final dessa sequência, não antes:
Entender o que está acontecendo com a mordida, a oclusão e as estruturas relacionadas.
Integrar as informações para definir os objetivos do caso.
Explicar as possibilidades e o caminho indicado para você.
Executar e acompanhar, com foco em estabilidade e saúde.
Quando a avaliação indica, os alinhadores — incluindo o Invisalign — podem ser uma das ferramentas do tratamento. A indicação depende do caso, não o contrário.
Você não está sozinho: alterações de mordida são muito mais frequentes do que se imagina — e quase sempre há o que fazer.
dos adultos (46 anos) têm pelo menos um problema de mordida (Krooks et al., 2016)
apenas — a minoria que já fez tratamento ortodôntico (Krooks et al., 2016)
mordida cruzada nas laterais — o problema mais comum em adultos (Krooks et al., 2016)
dos adultos têm necessidade grande ou muito grande de tratamento (Närhi et al., 2022)
adultos com recobrimento vertical excessivo, a mordida profunda (Krooks et al., 2016)
adultos com dentes da frente muito projetados (Krooks et al., 2016)
das crianças já apresentam algum grau de desalinhamento (Ruf, Proff e Lisson, 2021)
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As respostas são informativas e não substituem a avaliação individual.
Com o diagnóstico, você entende o que está acontecendo, quais são as opções e o que faria sentido para o seu caso — antes de decidir qualquer coisa.
Atendimento na Avenida Paulista, 2073 — Jardim Paulistano, São Paulo/SP
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